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Prédios do centro de Brasília são esvaziados após tremor de terra

Um tremor de terra foi sentido no centro de Brasília às 10h40 desta segunda-feira (2). Segundo o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), o tremor foi reflexo de um terremoto de magnitude 6,8 ocorrido na Bolívia.

Os abalos também foram sentidos na Avenida Paulista, em São Paulo, em Santos (SP), em Marília (SP), em São Carlos (SP), em Araxá (MG), em Belo Horizonte (MG), em Uberlândia (MG), no Paraná, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

“É um tremor considerável, mas ainda não sabemos de estragos no Brasil e na Bolívia. Qualquer tremor assim tem reflexos. Por isso, as pessoas sentiram aqui”, disse o professor da UnB George Sand Franç

No Setor Comercial Sul (SCS), foram sentidos três abalos pequenos e um maior, que durou mais de 5 segundos. Não houve feridos no Distrito Federal.

 

O subsecretário da Defesa Civil, Sérgio Bezerra, pediu que a população tenha calma. “A orientação é de que as pessoas se acalmem. Foi como se um caminhão pesado tivesse passado na frente da sua casa”, explicou.

Nenhum problema estrtutural foi identificado na área central de Brasília, segundo Bezerra. “O concreto e as ferragens bastante robustas aqui no centro são capazes de suportar isso com bastante tranquilidade. Não por acaso, nenhuma fissura foi observada.”

Ele orientou que os moradores liguem para o órgão “apenas caso haja rachaduras em vigas ou pilares” e recomendou que as pessoas tenham atenção dentro de edificações que não seguiram as recomendações de engenharia e arquitetura, “feitas apenas por um mestre de obras, sem cálculos estruturais”.

A contadora Raquel Assunção, que trabalha na quadra 3 do Setor Comercial Sul, passou mal com o abalo sísmico. “Não estava sentindo nada. Estava na mesa trabalhando. A mesa se mexeu. Nesse momento, veio enjoo e dor de cabeça. Ainda estou enjoada”, contou.

Até as 12h30, os seguintes prédios haviam sido esvaziados:

  • Ministério da Educação
  • Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
  • Ministério da Justiça
  • Infraero
  • Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1)
  • Anvisa
  • Terracap
  • Codhab
  • Tribunal de Contas do DF
  • Rodoferroviária (DFTrans e Adasa)
  • Prédios do Setor Bancário Sul (Banco do Brasil, Caixa, BRB, FNDE)
  • Prédios do Setor de Autarquias Sul (OAB, Ibama)
  • Prédios do Setor Comercial Sul
  • Universidade Corporativa Banco do Brasil

“Todo mundo desceu a escadaria correndo. O prédio esvaziou em menos de um minuto”, relatou o dentista Carlos Alberto Guerra, que trabalha no edifício do Sesc. “Muitos confundiram com labirintite, mas a segurança do prédio mandou descer.”

O tremor também foi sentido por pessoas que estavam no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), no Aeroporto Juscelino Kubitschek, no Guará e em Taguatinga Norte.

O que explica?

Os tremores de terra sentidos no Brasil foram brandos porque o terremoto foi “muito profundo”, segundo o professor de sismologia e pesquisador do Observatório Sismológico da UnB Lucas Vieira Barros. A 500 km de profundidade no epicentro, a energia se dissipou até chegar a cidades brasileiras.

“A região dos Andes é muito ímpar quando se fala em sismologia, tanto em termos de magnitude, quanto em profundidade. Na região, estão em contato as placas de Nazca e a Sul-Americana. Em razão disso, foi nesta região, mais precisamente no Chile, que houve o tremor de maior magnitude de que se tem notícia, de 9,5 em 1970.”

Segundo ele, é possível que haja outro temor na Bolívia, mas ele não deve chegar até o Brasil desta vez. “Normalmente, após um tremor de alta magnitude, ocorre um réplica, um abalo secundário. Via de regra, ele tem magnitude menor – geralmente é de 1,2 graus a menos que o primeiro.”

Mesmo que ocorra um terremoto de magnitude ainda maior, dificilmente geraria dano no Brasil, aposta Barros. “Em razão da distância e da profundidade, a energia se dissipa muito facilmente.”

Reflexos no Brasil

Em São Paulo, o prédio da Petrobras, na Avenida Paulista, foi esvaziado, assim como o do Ministério Público na Rua Riachuelo, no Centro. Moradores da Zona Oeste da capital disseram que precisaram deixar os prédios em que estavam por causa de tremores. Em Marília, no interior, o prédio da prefeitura foi esvaziado.

Em Minas Gerais, ao menos um prédio de Belo Horizonte foi esvaziado. Em Uberlândia, um dos edifícios da empresa Algar tremeu e precisou ser evacuado. Um leitor  informou que o imóvel, conhecido como CSC, chegou a balançar três vezes. Em Araxá, um centro comercial foi esvaziado.

No Paraná, prédios foram esvaziados em Umuarama, Maringá e Cascavel. Com menos intensidade, os abalos também foram sentidos em Cianorte e Londrina. No Rio Grande do Sul, os bombeiros de Passo Fundo receberam cerca de 10 ligações sobre o tremor.

*G1

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