Após duas intervenções do BC, dólar termina em queda superior a 1%, a R$ 5,82

O dólar fechou em firme queda de mais de 1% nesta quinta-feira (14), em sessão marcada pela volatilidade e pela aproximação da moeda dos R$ 6 reais de manhã. No fim da dessão, terminou em queda de 1,37%, a R$ 5,8202 na venda, após duas intervenções do Banco Central (BC).

Ao longo da sessão, oscilou entre máxima recorde intradia de R$ 5,9725 (+1,21%), alcançada perto de 11h, e mínima de R$ 5,8097 (-1,55%), já no fim da sessão.

Para conter a alta do começo da sessão, o BC anunciou duas operações no mercado: às 11h15 comunicou leilão de até US$ 1 bilhão em contratos de swap cambial (vendeu US$ 890 milhões) e às 15h58 informou leilão de venda de dólar à vista, no qual colocou US$ 520 milhões. No total, a autoridade monetária vendeu US$ 1,410 bilhão, acima dos US$ 880 milhões da véspera.

Wall Street se recuperou ao longo da tarde e fechou em alta, após queda mais cedo. No Brasil, também respaldou o alívio no câmbio encontro entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. Em coletiva, Maia defendeu que seja retomado o diálogo entre os Poderes e em todas as esferas da administração na busca de uma solução para a crise do coronavírus.

Analistas, contudo, seguem céticos quanto a uma melhora significativa no mercado. “Você não tem referência de preço hoje. Antes se falava de R$ 4, de R$ 4,20, de R$ 4,50, de R$ 5. Agora, não há a que (cotação) se apegar”, disse Roberto Serra, gestor sênior de câmbio da Absolute Investimentos.

Ele chama atenção para o menor volume de negócios do mercado primário –por onde passa dinheiro “novo”. Nas oito primeiras sessão de maio, a média diária de negociação está em US$ 865,5 milhões, 20% abaixo do mesmo período do ano passado. “O fluxo está menor, então qualquer movimentação acaba fazendo preço”, disse.

O real deprecia 31,05% neste ano, pior desempenho entre seus principais rivais, enquanto outros ativos brasileiros também sofrem diante do aumento da desconfiança de investidores estrangeiros com a situação econômica, política, fiscal e de saúde do país.

No Twitter, o economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), Robin Brooks, disse que há algo no mercado que “desgosta intensamente do Brasil”, citando a saída recorde de investimentos em carteira do país.

“As saídas (de capital) do Brasil em março foram um evento com desvio padrão de -6,0, ou seja, completamente além de qualquer coisa já vista antes”, disse Brooks, comparando o fluxo negativo do Brasil com o de outros mercados emergentes.

Segundo os últimos dados disponilizados pelo BC, a saída de investimentos em carteira alcançou US$ 22,068 bilhões em março, um recorde — somando ações e renda fixa negociadas no mercado doméstico.

Por: R. Amaral | Fonte: CNN | 14/05/2020